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Terça-feira, 27 Fevereiro, 2007

Eclipse Total da Lua: 3 de março de 2007

Publicado às 20:56 TU

O primeiro eclipse lunar do ano será total e visível, pelo menos em parte, em todos os continentes. O eclipse acontece 3,2 dias antes da Lua em apogeu (mais longe da Terra), e 1,9 dias depois da ocultação de Saturno pela Lua (visível apenas para o norte e leste da Europa). Durante o eclipse, a Lua está na constelação do Leão. Sua trajetória orbital leva a Lua pela metade norte da sombra umbral da Terra. Embora o eclipse não seja central, a fase de totalidade durará 73 minutos. Os tempos das fases principais do eclipse estão listados abaixo.

Gráfico: Estimativas para horários aproximados desde a entrada da Lua na penumbra da Terra, passando pelo Máximo Eclipse, até quando a Lua deixa a penumbra da Terra. Os horários estão em Tempo Universal (GMT-3 horas) e os cálculos realizados segundo as coordenadas da cidade de São Paulo. Crédito: Software Designer-Moon.

Estimativas das Circunstâncias desse Eclipse

As estimativas para este eclipse (segundo o Software SkyMap Prop 8, para as coordenadas da cidade do Rio de Janeiro; Latitude: 22° 53′ 58″ S; Longitude: 43° 16′ 12″ W; Zona de Tempo: –3 horas GMT) são:
Nascer da Lua: 19h 43m 20s (as fases iniciais já vão estar em andamento quando a Lua surgir no horizonte).
Lua Cheia: 20h 17m, mag –12,7.


P1 = Primeiro contato Penumbral, quando a Lua toca a Penumbra da Terra e faz seu primeiro contato com nossa atmosfera;
U1 = Primeiro contato Umbral, quando a Lua tem seu primeiro contato com a Umbra (a parte mais escura da sombra da Terra);
U2 = Início da Totalidade, este é o começo da fase do eclipse total. Algum tempo depois acontece o Eclipse Máximo. É nesse ponto que a Lua estará totalmente eclipsada em pleno esplendor do evento e de colorido;
U3 = Final da Totalidade;
U4 = Último contato Umbral;
P4 = Último contato Penumbral, é o Final do Eclipse.


(FE)* = Dados calculados por Fred Espenak para circunstâncias globais do eclipse
(SM)* = Dados calculados pelo software SkyMap para circunstâncias locais (cidade do Rio de Janeiro) do eclipse.

Visibilidade do Eclipse

Nos gráficos abaixo feitos por Fred Espenak podemos perceber claramente quais serão as características e condições de observação do eclipse de 03 de março de 2007.

Observando um Eclipse

Para aqueles que, além de apreciar a beleza de um eclipse, desejam fazer estimativas mais profundas do evento, existem várias atividades que podem ser desenvolvidas pelo astrônomo amador e que, quando somadas às de outros observadores, podem resultar deduções de dados muito significativos em relação não só à Lua, mas principalmente às condições da atmosfera terrestre. Então, que atividades podem ser realizadas?

- Estimativas do “Número de Danjon’’, distribuição de cores exibidas e luminosidade do disco lunar;

- Cronometragem dos tempos de contato do eclipse: P1, U1, U2, U3, U4 e P4;

- Monitorar a visibilidade das formações lunares durante a fase da totalidade e durante o eclipse;

- Observar aspectos da Lua, cores e brilhos, durante a totalidade através de esboços;

- Registro em imagens das diferentes fases do eclipse, principalmente o eclipse máximo;

- Cronometragem de contatos da umbra (sombra) em formações lunares (crateras e mares);

- Monitoração do avanço da sombra penumbral (também o retrocesso dela) pelo disco lunar através de fotometria por câmera CCD;

- Observação de TLP. Eclipses totais também proporcionam ocasiões importantes para tentar detectar algum tipo de Fenômenos Transitório na superfície lunar, inclusive eventos como flashs de impactos de meteoróides. Muitas ocorrências de possíveis eventos de TLPs já foram reportados nessas ocasiões.

- Monitoração da magnitude da Lua durante a totalidade do eclipse.

A estimativa da magnitude do eclipse é, com certeza, a atividade mais importante e a mais difícil de ser calculada pelo observador que deseja fazer um trabalho de cunho científico. Neste eclipse a Lua vai estar em um bom campo de estrelas para esta aferição, inclusive com Saturno brilhando à mag 0,0. Mas, como realizar esse tipo de observação? Que método é utilizado para esta atividade observacional? Isso é o que nos ensina textualmente o Coordenador da Seção Eclipse da REA-Brasil, o professor e físico, Helio de Carvalho Vital.


Imagem: Carta gerada pelo software SkyMap Pro 8 para o horário do Eclipse Máximo. Os números entre colchetes se referem às magnitudes das estrelas (só até mag 4). As estrelas Duplas estão marcadas com um traço horizontal. As estrelas Variáveis são ocas (apenas o círculo colorido) e não servem para estimativas de magnitude do eclipse devido à sua variabilidade.

Utilizando o Método do Binóculo Invertido
Por: Helio de Carvalho Vital

“Consiste em observarmos a Lua totalmente eclipsada através do binóculo em posição invertida com um olho (olhando-se pela objetiva ao invés da ocular), simultaneamente comparando o brilho observado com o de estrelas próximas, vistas com o outro olho, desprovido de instrumento. A magnitude da Lua será igual àquela estimada, corrigida da perda de luz decorrente do uso do binóculo invertido, cujo valor precisará ser determinado empiricamente pelo observador.

Para determinação da correção, pode ser usado um planeta brilhante - Vênus ou Júpiter, os quais, quando vistos através do lado errado da maioria dos binóculos, geralmente apresentam brilho comparável ao de estrelas mais brilhantes que magnitude 4.
Um exemplo seria:

Um observador notou que Júpiter (mag=-2,5 na época), quando observado pela objetiva de seu binóculo 7×50, apresentou o mesmo brilho de uma estrela de magnitude igual a 2,4, observada à vista desarmada.

O valor da correção seria então:

-2,5 - 2,4 = -4,9 magnitude

Se, no meio do eclipse total, ele estimou que a Lua, ao binóculo invertido, apresentou brilho igual ao de uma estrela de magnitude 3,0, observada a olho nu, isso significa que a sua estimativa para a magnitude total da Lua no meio do eclipse será dada por: mag= 3,0 - 4,9 = -1,9 “

Para realizar estas observações recomendamos que nossos leitores consultem o Site Lunissolar para inteirar-se do projeto para esta campanha observacional, e de como fazer efetivas observações desses eventos para amadores iniciantes e experientes, deduções e imagens de eclipses anteriores - Seção Eclipse - REA, Coordenada por Helio C. Vital: http://www.geocities.com/lunissolar2003/

Como fotografar eclipses lunares: Homepage do Diniz: http://astrosurf.com/diniz/artigos.html

Tutoriais (PDF em português) devidamente autorizados: Eclipses por Helio C. Vital; e Fotografando eclipses lunares por José Carlos Diniz: http://www.reabrasil.org/lunar/subsidios.htm

Sunearth (Fred Espenak): http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/OH/OH2007.html#2007Mar03T

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