“Gerações
futuras têm o direito a uma Terra sem poluição
e destruição inclusive o direito a um céu
limpo.” Carta da UNESCO de 1994.
Você já perdeu totalmente a visibilidade da
estrada, dirigindo à noite, quando o motorista que
vinha em sentido contrário acendeu o farol alto? Você
Já percebeu aquelas bolhas luminosas que cobrem as
cidades, quando delas você se aproxima durante uma viagem
noturna? Já teve dificuldade para dormir porque uma
grande quantidade de luz da rua ou do seu vizinho entrava
pela janela do seu quarto? Já notou como o céu
das áreas urbanas possui menos estrelas do que o céu
de áreas rurais? É claro que sim! Todos nós
já passamos, vez ou outra, por algumas dessas situações.
Esses fatos são causados pela utilização
incorreta da iluminação artificial noturna,
que gera a menos conhecida de todas as formas de agressão
ao meio ambiente: a Poluição Luminosa.
A Poluição Luminosa é um problema ambiental
sério pouco conhecido, que pode ser definida como sendo
qualquer efeito adverso causado ao meio ambiente pela luz
artificial excessiva ou mal direcionada produzida pelo homem
nos centros urbanos, que causa fulgor, prejudicando as condições
de visibilidade noturna. As luminárias mais utilizadas
em iluminação pública são ineficientes
e mal projetadas, emitindo um fluxo de até 60% de luz
horizontalmente e para cima. A causa está no formato
das luminárias, que não costumam abrigar corretamente
suas lâmpadas e no ângulo de inclinação
das mesmas. São os postes da iluminação
das ruas, os das praças, em forma de globo esférico,
os refletores das quadras de esportes, estacionamentos, canteiros
de obras, clubes, aeroportos, etc.. O desperdício é
denunciado de modo marcante pela enorme bolha luminosa que
cobre as grandes e médias cidades. Essa luz extra em
nada contribui para a iluminação noturna útil,
uma vez que a única luz que realmente importa é
aquela dirigida para o solo.
Além do prejuízo à Natureza, a luz que
sai lateralmente das luminárias atinge nossos olhos
e faz diminuir as nossas pupilas, causando-nos um ofuscamento
e diminuindo nossa visibilidade noturna, que já foi
responsável por muitas mortes no mundo. A iluminação
mal projetada e excessiva, ao contrário do que julga
o senso comum, não traz segurança e visibilidade.
Esse brilho irritante confunde os pássaros e afeta
as plantas.
A poluição luminosa ocorre sem necessidade,
é um problema de solução tecnicamente
simples e está causando enormes danos a um bem que
é de todos. A solução do problema NÂO
é apagar a luz das cidades, mas cuidar para que a iluminemos
corretamente, enviando luz apenas para as áreas que
queremos e precisamos enxergar, sem desperdício de
luz e energia. Se cada dispositivo de iluminação
fosse criado com o cuidado de aproveitar toda a luz gerada,
dirigindo-a para baixo, os níveis de poluição
luminosa cairiam mais de 80 por cento.
Pense no incômodo imposto à população
com o horário de verão e com as sugestões
para que se evite o consumo exagerado de energia elétrica,
principalmente no horário do pico de demanda. Ouvimos
dizer que não devemos tomar banho quente nem abrir
a porta da geladeira por muito tempo, mas quando vamos lá
fora e olhamos para as luzes da cidade, vemos todo o nosso
sacrifício indo em direção ao espaço,
sem maiores explicações. E talvez a maioria
das pessoas não perceba isso, mas jogar luz para cima
não aumenta a segurança de ninguém nem
melhora a visibilidades das nossas ruas. É apenas a
mesma coisa que queimar dinheiro, que em muitos casos é
público.
O estado atual da iluminação pública
é lamentável, principalmente depois que as lâmpadas
de mercúrio começaram a ser substituídas
pelas de sódio, amarelas, em luminárias dispersivas,
aumentando muito o desperdício de luz. Tudo se dá
por desconhecimento, descuido, falta de interesse ou surdez
aos apelos desesperados daqueles que não se conformam
com a vitória da ignorância, do descaso e do
desperdício sobre a inteligência, o respeito
e a economia. O que infelizmente ocorre é que lançamos
uma quantidade enorme de luz na direção oposta
às áreas que queremos iluminar à noite.
Na iluminação privada, os erros são
causados por inúmeros modelos de luminárias,
algumas delas apontadas verticalmente para cima. Vários
são os casos de incômodo causado a quem mora
perto dessas fontes geradoras de luz mal direcionada.
A meta dessa campanha é mostrar à todos que
é possível iluminar melhor e mais barato, concentrando
a luz em sua área de influência.
Segundo Orlando Rodrigues Ferreira, Diretor Geral do Observatório
Nacional, “em conformidade e com algumas estimativas,
algo em torno de 50% até 60% da energia elétrica
gerada é desperdiçada para o céu forma
de energia luminosa. Portanto, com o redimensionamento de
luminárias e lâmpadas será possível
aos cofres públicos uma economia imediata deste percentual
em termos financeiros, além de consideráveis
benefícios ambientais, como não se necessitará
construírem novas e dispendiosas hidrelétricas,
pois as atuais existentes passarão a ter seu potencial
de produção utilizado sem perdas; não
será mais necessário o alagamento de grandes
áreas para represamentos de águas; não
será mais necessário efetuar as caríssimas
desapropriações de terras, com isso impedindo
o processo de migração populacional e permitindo
com que comunidades venham a desenvolver mais adequadamente;
matas serão preservadas e suas significantes reservas
de flora e fauna; as noites serão mais límpidas,
possibilitando, destarte, uma maior dedicação
às pesquisas astronômicas, etc.. Sem contar os
benefícios sociais à questão, tais como
geração de empregos pelo estabelecimento de
novas indústrias, a estabilidade econômica e
social dos municípios, avanço da consciência
ética e social das populações envolvidas
e muito mais.”
Precisamos nos unir para exigir das autoridades o respeito
a que temos direito. Até quando suportaremos ouvir
um governo falar em economia de energia e ao mesmo tempo promover
o desperdício irracional em nossas cidades?
Há milhões de pessoas no mundo que começam
a compreender que não se pode destruir o Planeta Terra
em nome do lucro, como estamos fazendo hoje, sob o risco de
nada deixarmos para as futuras gerações. Muitos
estão acordando para os novos tempos que se aproximam
e, por isso, começam a exigir mais respeito à
Natureza. Estes percebem que pessoas inescrupulosas estão
transformando a Terra em um verdadeiro inferno, por motivos
puramente egoístas. Se você nada fizer, estará
concordando com os destruidores. Portanto, reaja! Junte-se
a nós nesta campanha por cidades melhores, bem planejadas,
nas quais seja garantido o espaço existencial de cada
um.
Somos responsáveis em garantir a generosidade e a
beleza para as atuais a as futuras gerações.
Podemos e devemos evitar atrocidades ecológicas, economia
energética, obter uma melhor qualidade de vida e assegurar
aos nossos filhos o direito de contemplar a beleza de céu
repleto de estrelas, e darmos continuidade à cultura
de anos, séculos, milênios, que os homens olham
as estrelas, e investigam seus segredos. Não existe
beleza comparável a uma noite estrelada!